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O Jardim do Meu Pai

 

Mais importante que ser natural

É ser semelhante ao que é natural.

JP

 

Está-se bem no jardim do meu pai. São poucas as flores que há e foram todas plantadas pela minha mãe pelos muros e pelos caminhos. Que no meio não! No centro não há jardim nenhum, o que há é uma horta, onde no Verão se vê o milho crescer, de dia para dia, depois das favas e das ervilhas já terem ido todas para a mesa ou para o sol, para secar.

O jardim do meu pai não é grande, mas contado a peso de enxada tornava-se enorme de tanto trabalho que dava a cavar. Agora lavra-se com o tractor, por cinco contos, mas o meu pai queria que aquela terra desse muito trabalho a cavar. Por isso o jardim do meu pai foi salpicado de muito suor e às vezes até de um pouco de sangue das bolhas das mãos.

No jardim do meu pai está-se tão bem! Porque será?... Por ali não crescem plantas de um cheiro só, de uma cor única, de um sabor igual, misturam-se todas: as bonitas com as feias, as saborosas com as amargas, as que prestam para a mesa com as que fingem que não prestam para nada.

O escalracho tem sempre mais força que as favas e as ervilhas, por isso, se a gente o deixa crescer muito, elas morrem todas. Há que mondar sem descanso e a gente sacha, e a gente ceifa. E quando as urtigas marotas se encostam ao caule tenro do milho a gente, então, a gente dana-se da falta de jeito para cortá-las e arranca-as com as mãos, assim, sem luvas nem nada e depois praguejamos contra as picadas.

-          Malditas urtigas! Malvadas!

As urtigas, quando nos mordem, são danadas, mas depois de arrancadas são só daninhas, são só teimosas no seu eterno fingir que são más. Talvez seja por isso a que a gente teima em não matá-las com herbicida.

Nos terrenos doentes que moram ao lado do jardim do meu pai não há escalracho, não há urtigas. Se nascem cenouras, só há cenouras. Se nascem batatas só há batatas. E quando as pragas chegam comem tudo porque ali só há "o bom". Talvez seja por isso que há tão poucas pragas no jardim do meu pai. Aqui a gente sabe que o escalracho e as urtigas também gostam da terra boa, a gente sabe que, quando as ervas feias, as tais que fingem que não prestam para nada, deixam de medrar, pouco tempo restará antes que as pragas tornem amarelas e secas as folhas que antes eram verdes de tanto viço.

Ahhh! Que bom que é, à tarde, pela fresquinha, dar comigo a olhá-lo como se o regasse com os olhos... E quem reverdece sou eu... Ali do alpendre do dojo, daquele alpendre, daquele dojo que primeiro foi estábulo (sim, porque no jardim do meu pai a esgrima com as varas de zimbro era à tarde, pela fresquinha, de dia era o trabalho) ali me quedo a pensar:

-          Porque será?... Porque será que se está tão bem no jardim do meu pai?

  

 

José Patrão

 


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